SEM DELAY
Economia

Mercado em Alerta: STF, Petrobras e Eleições Sacodem Bolsa em Meio à Instabilidade Política e Econômica

Júlio César Antunes · Redator

· Atualizado em

LXF
Mercado em Alerta: STF, Petrobras e Eleições Sacodem Bolsa em Meio à Instabilidade Política e Econômica
Foto: DC Studio / Freepik

Julgamento do STF, eleições e volatilidade no Ibovespa

O Ibovespa acompanha atentamente as notícias do Supremo Tribunal Federal e o clima político-eleitoral. Em meio a decisões judiciais e pesquisas, o índice sobe de forma moderada, com foco no julgamento envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Gustavo Bertotti, da Fami Capital, destaca que o ambiente institucional se reflete diretamente na volatilidade dos ativos. O STF pode ampliar as turbulências ao analisar a conduta do ministro André Mendonça na semana seguinte. No âmbito eleitoral, a pesquisa CNT/MDA aponta Lula (PT) na liderança para o primeiro turno de 2026, com 40,5% das intenções, sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL). Em cenários de segundo turno, a vantagem persiste, embora um cenário de maior incerteza já seja apontado nas sondagens mais recentes.

Julgamentos e instabilidade intensificam a sensibilidade dos ativos diante dos efeitos da crise política. Alternativas de “terceira via” ganham espaço nas pesquisas, trazendo mudanças imprevisíveis para o ambiente político e para os investidores.

Petrobras lidera ganhos, mas varejo recua e pressão econômica continua

As ações da Petrobras avançam impulsionadas pela alta do petróleo e números positivos de produção. PETR3 sobe 3,48%, cotada a R$ 55,95, e PETR4 registra alta de 2,90%. Dados da ANP mostram recorde produtivo da estatal em agosto, com 2,92 milhões de barris/dia, 4% acima do mês anterior. Analistas do Bradesco BBI apontam que a expectativa é de novos recordes. Por outro lado, o cenário macro preocupa: as vendas do varejo caíram 0,8% em julho e subiram apenas 1,2% sobre 2025, ambas abaixo das previsões, indicando desaquecimento do consumo. O Banco Central atuou com leilões de dólar no total de US$ 2 bilhões para garantir liquidez, mantendo a cotação estável.

Entre as ações, SLCE3 registra ganho de 3,98% enquanto HAPV3 lidera as quedas, mostrando os efeitos do ambiente instável no mercado. O IBC-Br aponta novo recuo econômico, e o PIB de 2026 é projetado para apenas 1,7%. Pressões sobre renda e crédito continuam afetando o consumo e o desempenho econômico.

Tensões globais e decisão do Fed aumentam cautela

No cenário internacional, o petróleo ultrapassa US$ 100, reflexo dos ataques houthis no Iêmen e mobilizações do Irã no Mar Vermelho. As bolsas dos Estados Unidos registram queda: Dow Jones cede 0,33%, S&P 500 recua 0,25% e Nasdaq 0,25%. Investidores globais aguardam a decisão do Federal Reserve, esperando uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros para conter a inflação. Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, avalia que as pressões externas sobre o dólar são evidentes diante desse contexto. Na Europa, bolsas também recuam diante de custos de energia mais elevados. A China apresenta aceleração da produção industrial, mas o consumo segue enfraquecido e os investimentos desaceleram, ilustrando o impacto da instabilidade política nos negócios globais.

A dívida pública brasileira deve alcançar 83,2% do PIB em 2026 e 87% em 2027. Os juros futuros recuam de forma gradual, indicando moderação e possível flexibilização do Banco Central frente ao crescimento econômico travado. O ambiente externo incerto mantém o investidor cauteloso e reforça a influência das tensões políticas na economia.

O mercado brasileiro segue sensível às decisões do STF e à evolução do cenário eleitoral, com a instabilidade política desenhando riscos para o investimento e a performance das ações. Petrobras e commodities contribuem para ganhos no Ibovespa, mesmo com dados internos fracos no varejo. No panorama global, tensões geopolíticas e movimentações de juros ameaçam o apetite ao risco e indicam a necessidade de atenção por parte dos investidores ao noticiário político e econômico.

Leia também