Jato de Luxo Liga Flávio Bolsonaro e Moraes

Viagens e negócios com jatinho expõem conexões entre políticos, magistrados e empresários brasileiros
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou, em janeiro de 2025, um jato Embraer Legacy 650 para viajar dos Estados Unidos ao Brasil. O avião pertence a uma empresa da qual Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é sócio. A viagem foi confirmada publicamente pelo próprio Flávio, que ironizou, em postagem: “Ainda bem que naquela época o avião era do Willer. Imagine se fosse agora, eu teria viajado no avião do ministro Alexandre de Moraes.”
O modelo utilizado por Flávio comporta até 13 passageiros, tem autonomia para voos de longa distância sem escalas e acomodações de luxo. O senador esteve em Miami entre 27 de dezembro de 2024 e 19 de janeiro de 2025. A Polícia Federal coletou mensagens, e-mails e reservas que comprovam a autenticidade dos deslocamentos. Esses registros evidenciam como o uso do jatinho faz parte de uma dinâmica que envolve empresários e figuras do cenário político e econômico brasileiro.
Aeronave também foi usada por Alexandre de Moraes e esposa
Após a viagem de Flávio, o mesmo jato foi utilizado em agosto do mesmo ano pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci. O envolvimento com a aeronave ganhou novo destaque quando, em maio de 2025, o escritório de advocacia da esposa do ministro firmou contrato de R$ 50 milhões com a Viking Participações, ligada a Daniel Vorcaro.
Segundo documentos do g1, o acordo de prestação de serviços jurídicos foi realizado três meses após o voo do senador e pouco antes de o ministro usar o jato. Dois bens da estrutura empresarial de Vorcaro estavam entre os objetos do contrato: a própria aeronave (Fraction 024) e um helicóptero em negociação (Fraction 053). Esse cenário revela interconexões que ultrapassam a política, alcançando negócios de grande escala na economia nacional.
Negócios e redes societárias cercam o jatinho de luxo
O Embraer Legacy 650 é operado pela Prime You, com diversos cotistas, incluindo Vorcaro. O contrato de cessão do jato foi firmado pela Fraction 024, empresa de Marcus Vinícius da Mata, associada a Vorcaro. Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal, afirmou que vendeu sua cota da aeronave sem consentimento, em meio a trâmites ainda pouco esclarecidos.
O valor estimado do jato é de US$ 14 milhões (R$ 72,6 milhões). O modelo destaca-se pela infraestrutura sofisticada, tecnologia de redução de ruído e espaço interno diferenciado. Documentos e mensagens trocadas detalham negociações e reservas, compondo uma trama que conecta empresários do setor financeiro, advogados e autoridades públicas. Esses elementos refletem a complexidade do sistema econômico brasileiro e sua influência no cenário político e empresarial.



