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Economia

Crédito privado trava e títulos isentos despencam

Antônio Tubarão · Redator

· Atualizado em

LXF
Crédito privado trava e títulos isentos despencam

Volatilidade e queda histórica na negociação de crédito privado

Em agosto, o mercado de títulos de crédito privado sofreu uma forte desaceleração, com destaque para a derrubada de 91% nas emissões de debêntures incentivadas, que passaram de R$ 6,5 bilhões em julho para apenas R$ 610 milhões. O levantamento da Quantum Finance revelou retração generalizada: debêntures comuns (-24,2%), CRIs (-8%) e CRAs (-4,5%) no volume transacionado. O recuo nas debêntures comuns refletiu, em parte, a ausência de eventos extraordinários, como o grande volume do programa de recompra da Localiza ocorrido em julho. Para Otávio Faria, da Eleven Financial, "a tendência é de paralisia nas ofertas até o fim do ano, pois empresas aguardam juros mais baixos e cenário eleitoral definido para voltar a captar". O ambiente de incerteza sobre possíveis mudanças tributárias em títulos de crédito privado também desestimula novas ofertas, limitando operações ao mercado secundário, afetando a dinâmica da economia financeira.

Concessionárias de energia retomam protagonismo nas debêntures

As concessionárias de energia lideraram a negociação de debêntures após efeitos pontuais do mês anterior. O setor voltou ao topo tanto em volume quanto em número de negócios, com Equatorial Goiás, Coelba e Eletrobras se destacando. Segundo Guilherme Almeida, da Suno Research, o alto giro dos papéis dessas empresas deve-se à sua visibilidade no mercado e ao perfil frequente de emissões. Faria ressalta que o movimento não indica deterioração do crédito, mas sim rotação do portfólio. "A Equatorial Goiás, por exemplo, é bem gerida e tem planos de expansão", afirma. Caso atípico foi o da LM Transportes, que figurou entre as líderes após um incidente de segurança da informação, gerando receio e motivando vendas de seus papéis.

Ranking de volume: Equatorial Goiás (R$ 1,19 bi), EDP Norte Nordeste 2 (R$ 782 mi), CEEE-D (R$ 770 mi), LM Transportes (R$ 740,7 mi)

Ranking de negócios: Coelba (2.450 negócios), Eletrobras (2.124), Emive (1.964)

CRAs e CRIs: diversificação e busca de alternativas

No segmento do agronegócio, a Camil liderou em volume e operações entre CRAs, por meio de operação com Eco Securitizadora lastreada em debêntures próprias, que totalizou cerca de R$ 650 milhões. Essa estratégia, apoiada na isenção fiscal dos CRAs, proporciona custos inferiores aos das debêntures tradicionais, fator relevante no atual cenário macroeconômico. Já nos CRIs, o predomínio foi da BM Varejo em volume negociado (R$ 791,7 milhões), enquanto Allos e Dasa destacaram-se pelo número de transações, revelando apetite do varejo. Guilherme Almeida destaca que "os CRIs têm ampla dispersão entre emissores e atraem investidores qualificados e varejistas dispostos a operar frações". Entre os dez papéis mais negociados, empresas do comércio, shoppings e saúde reforçam a diversificação setorial.

CRAs: além da Camil, Minerva, São Martinho e Klabin aparecem entre os destaques.

CRIs: além de BM Varejo, Uberlândia Refrescos e Promontoria Imóveis figuram entre os maiores volumes.

O mês de agosto representou um marco negativo para o mercado de crédito privado brasileiro, com especial impacto sobre as debêntures incentivadas, que atingiram o menor patamar histórico de oferta. O ritmo ativo do mercado secundário e a crescente diversificação nos segmentos de CRAs e CRIs mostram que investidores e empresas estão migrando para alternativas isentas diante da incerteza fiscal e do cenário macroeconômico indefinido. A dinâmica deve se manter até o final do ano, salvo alterações relevantes nos juros ou na regulamentação.

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