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Economia

Pontos de Fidelidade Mudam Hábitos de Pagamento

Antônio Tubarão · Redator

· Atualizado às

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Pontos de Fidelidade Mudam Hábitos de Pagamento
Foto: magnific / Freepik

O brasileiro está trocando o Pix pelo cartão e transformando milhas em nova moeda, mas essa nova “poupança” tem validade!

Os pontos de programas de fidelidade já são vistos como patrimônio por grande parte dos brasileiros. Segundo pesquisa da Livelo em parceria com o LAB Humanidades da AlmapBBDO, 87% dos entrevistados enxergam os pontos acumulados como uma economia real para o orçamento doméstico, enquanto 79% já os equiparam ao saldo bancário tradicional. “Esses benefícios deixaram de ser apenas um bônus e se tornaram uma moeda própria”, revela o levantamento.

Mudanças recentes, como o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados que regula a comercialização desses pontos e milhas, reforçam a importância do tema. A pesquisa também mostra que 82% dos participantes passaram a trocar pagamentos em Pix, débito ou dinheiro pelo cartão de crédito para otimizar o acúmulo de pontos. Era comum o cartão de crédito ser considerado vilão da vida financeira; agora, 79% passaram a vê-lo como aliado estratégico para o controle de gastos e obtenção de vantagens em programas de fidelidade.

Outros achados ilustram o novo papel dos pontos:

Trocar o Pix pelo cartão virou uma decisão racional para muitos consumidores. O dado central é que a busca por benefícios tangíveis, mercadorias, viagens ou serviços, está moldando ativamente o modo como as compras são feitas. Não é só o que se compra após o acúmulo de pontos, mas também toda a rotina de pagamentos, controle de faturas e até o tipo de estabelecimento frequentado. Em outras palavras, os incentivos dos programas de fidelização de clientes influenciam o comportamento financeiro no dia a dia, transformando práticas como a fidelização de clientes em estratégias valiosas de organização financeira.

Porém, há ressalvas importantes: pontos não têm as mesmas garantias do dinheiro, estão sujeitos a expiração, regras rígidas e podem ter valor variável conforme a utilização. Concentrar despesas no cartão para obter mais pontos só compensa se não causar gastos além da capacidade de pagamento, evitando juros ou dívidas. “Os consumidores precisam estar atentos para não transformar um benefício em armadilha financeira”, adverte a pesquisa. O acompanhamento das regras de cada programa de fidelização é essencial para o equilíbrio do orçamento.

O movimento ganhou corpo e até impacto legislativo, apontando para uma mudança cultural e estrutural no consumo.

A aprovação do projeto de lei sobre normas para milhas e pontos destaca que o assunto saiu do universo individual para ganhar peso regulatório. Os programas de fidelidade, ao consolidarem uma sensação de patrimônio tangível, influenciam expectativas e até estratégias de planejamento financeiro. O sociólogo atento vê aí a transformação de incentivos privatizados em comportamentos coletivos e, com isso, novas abordagens para consumo e poupança no Brasil urbano.

O fenômeno dos pontos de fidelidade tornou-se vetor central na forma como milhões de brasileiros lidam com pagamentos e planejamento financeiro. Se antes os benefícios eram vistos como bônus, agora disputam espaço de “moeda alternativa” com o dinheiro tradicional, mas carregam riscos próprios como expiração e regras variáveis. No entanto, a tendência é clara: programas de milhagem moldam hábitos, influenciam legislação e oferecem ao consumidor um novo repertório de estratégias para lidar com o orçamento. O pagamento via cartão não é mais vilão, mas precisa de uso consciente para não virar um retrocesso financeiro disfarçado de vantagem. Vale mais trocar pontos por experiências do que transformar oportunidades em dívidas, e acompanhar sempre o funcionamento do clube de vantagens ou programa de fidelidade escolhido é fundamental.

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